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março 2

IFRS forma primeiro aluno surdo em curso de graduação

Postado por: admin | Postado em: Ações Inclusivas, CES, NAPNE, Notícias, Notícias | Não Comentada

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Jean Filipe Krebs obteve o grau de Tecnólogo em Marketing pelo Campus Erechim no mês passado

A noite do dia 19 de fevereiro de 2016 foi histórica para o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul (IFRS): Jean Filipe Krebs, então estudante de Tecnologia em Marketing do Campus Erechim, foi o primeiro surdo a concluir um curso superior na instituição. O percurso de Jean pelas instituições de ensino é emblemático dos desafios que ainda são enfrentados pelas pessoas surdas no país, mas também de como a persistência e o apoio de familiares e amigos pode contribuir para vitórias como a ocorrida no último mês.

Natural de Erechim, Jean desde cedo reconheceu a importância da educação. Para ele, um meio de conseguir um bom trabalho e desenvolver conhecimentos. Pensar em parar de estudar? Nunca. Embora a legislação lhe garantisse o acompanhamento de intérprete da Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) na sala de aula, os desafios encontrados no dia a dia foram muitos: aulas pouco visuais, com grandes volumes de texto, além do pouco contato com pessoas surdas e com a LIBRAS por parte dos profissionais da educação.

Adaptação em sala de aula

Para a coordenadora do curso, professora Angelita Freitas da Silva, a presença de um estudante surdo na turma demandou, por isso, uma adaptação da metodologia de ensino por parte dos docentes, que até então utilizavam muito material escrito em suas aulas. A saída foi explorar mais recursos visuais, como slides, e vídeos acompanhados de legendas. A trajetória do estudante despertou, assim, a urgência de se pensar uma educação plural e voltada à diversidade: “Essa experiência mudou o fazer do professor e até dos próprios colegas, que passaram a buscar formas de se comunicar com o Jean”.

O curso de LIBRAS oferecido pelo Núcleo de Atendimento às Pessoas com Necessidades Específicas (NAPNE) do Campus Erechim do IFRS no ano passado foi uma das iniciativas nesse sentido. Destinado a servidores e estudantes da instituição, as aulas tiveram como objetivo o desenvolvimento de atividades práticas da língua. Para Naiara Greice Soares, ministrante da atividade e intérprete de LIBRAS que acompanhou Jean durante grande parte do seu percurso acadêmico, os cursos são importantes, mas é necessário que as pessoas continuem em contato com as pessoas surdas e que a inclusão seja pensada de forma mais ampla: “É no dia a dia que fazemos a inclusão acontecer, proporcionando a acessibilidade. Isso não acontece de uma hora para outra”.

É necessário, por isso, o desenvolvimento de uma política de ações inclusivas que possibilite a permanência e o êxito das pessoas surdas e demais estudantes historicamente excluídos do espaço educacional. No IFRS, esse fortalecimento acontece através da Assessoria de Ações Inclusivas, que busca, através de seu trabalho, promover a educação para a diferença e para o respeito aos direitos humanos. É com base nessa bandeira que, para a Pró-Reitora de Extensão do IFRS, Viviane Silva Ramos, a noite do dia 19 foi histórica: “Quando temos, numa colação de grau, um aluno surdo se formando, é um momento muito especial pra mim. Essa conquista justifica nosso trabalho e me deixa muito feliz e orgulhosa do Campus Erechim”.

Apoio familiar fez a diferença

Na opinião de Jean, o apoio de amigos e familiares, especialmente da irmã, Josiane Krebs, servidora do IFRS, fez toda diferença, assim como o fato de ter sido acompanhado pela mesma intérprete durante grande parte do curso:”Nossa relação foi muito boa, nós tínhamos juntos ideias de sinais em LIBRAS para as palavras próprias do curso, e eu sempre entendi o que ela interpretou”. O mesmo sentimento é compartilhado por Naiara: “O significado dessa conquista representa partilhar de um sonho no qual eu tive o privilégio de ser a Intérprete de LIBRAS do Jean, acompanhar essa trajetória de crescimento individual e profissional dele, ver pessoas mudando conceitos, se abrindo para a inclusão, se interessando por LIBRAS, tendo um novo olhar sobre o outro. Essa conquista vem carregada de realização profissional”.

Agora formado, Jean realizará outros sonhos. Para as pessoas surdas que ingressarem no Campus Erechim, alguns caminhos já estarão abertos. A inclusão, contudo, lembra Naiara, é uma realidade, por isso é preciso que seja buscada todos os dias.

Publicado em 1º de março de 2016, às 21h26

Fonte: http://www.erechim.ifrs.edu.br/site/conteudo.php?cat=1&sub=2270#

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