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maio 15

Índio quer tumulto

Postado por: admin | Postado em: NEABI, Notícias | Não Comentada

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Maior, mais cara e mais complexa obra de engenharia em execução no Brasil. a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, começou a ser feita em 2011, com um orçamento de 13,8 bilhões de reais. Os desafios para colocá-la em funcionamento até março de 2016 eram conhecidos desde o início: a distância dos grandes centros, a dificuldade de logística, o custo da mão de obra e o calor equatorial na região. Mas um problema com o qual os construtores não contavam é o que vem dando mais trabalho agora: as invasões do canteiro de obras comandadas por ONGs e executadas por índios, sem-terra e demais populações que ajudam a justificar a existência dessas entidades. As manifestações paralisaram Belo Monte por noventa dos 700 primeiros dias da construção. Cada dia parado resulta em um prejuízo de até 10 milhões de reais – a suspensão das operações, portanto, já consumiu quase 900 milhões de reais.

A última invasão teve início na segunda-feira. Setenta índios da etnia mundurucu passaram 24 horas dentro de ônibus para percorrer os 800 quilômetros que separam sua aldeia, em Mato Grosso, de Belo Monte. Para entrar no canteiro, eles renderam com um arco e flecha uma funcionária da Norte Energia, empresa responsável pela usina. Invadiram os escritórios e expulsaram os administradores. Em seguida, armados de tacapes, zarabatanas e flechas, os índios tentaram tirar dos alojamentos os operários – alguns dos quais, munidos de peixeiras, reagiram. A intervenção da Força Nacional de Segurança evitou um conflito maior. Os mundurucus em nada serão afetados pela usina. Mas, estimulados e financiados por quatro ONGs (Xingu Vivo, Instituto Socioambiental, Conselho Indigenista Missionário e Greenpeace), dizem querer impedir a construção de Belo Monte e de outras três hidrelétricas na região amazônica.

Os responsáveis por Belo Monte estimam que essa tenha sido a pior das dezesseis invasões já registradas e temem um desfecho trágico nas próximas, dada a violência crescente dos episódios. Eles também receiam que um novo confronto entre manifestantes, operários e forças de segurança possa provocar uma paralisação mais longa, que impediria a entrega da usina no prazo previsto. Nesta semana, a Norte Energia irá ao governo federal exigir o aumento da segurança na região. Os índios deixaram o canteiro na madrugada de sexta-feira, mas nem precisavam ter se incomodado. Na mesma manha, a Justiça suspendeu a liminar de reintegração de posse que havia sido obtida pelos construtores da usina. OTÁVIO CABRAL

Veja, 15/05/2013, Infraestrutura, p. 90

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